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Conheça o Conjunto Moderno da Pampulha – Patrimônio da Humanidade

17/07/2016

A área que abriga o Conjunto Moderno era parte de uma antiga fazenda, responsável pelo abastecimento agrícola da cidade de Belo Horizonte. Loteada e urbanizada na década de 1940, o lugar tornou-se um empreendimento modernizador que atraiu a atenção de vários intelectuais e artistas de todo o Brasil, por promover uma interação entre arquitetura, artes plásticas e paisagismo.

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O Conjunto Moderno da Pampulha nos traços de Niemeyer

Sob a batuta do então Prefeito da cidade de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, Niemeyer planejou os edifícios do Conjunto, inspirado nas concepções do suíço Le Corbusier (pseudônimo de Charles-Edouard Jeanneret-Gris), criador dos “Cinco Pontos da Nova Arquitetura” planta livre, fachada livre, pilotis, terraço jardim e janelas em fita. Por sua vez, Roberto Burle Marx teve como influência os ideais do resgate da identidade nacional e as vanguardas europeias das artes. Segundo seus próprios depoimentos, o seu contato com a riqueza da flora brasileira em jardins botânicos de Berlim (Alemanha) o fez compreender como seria importante resgatar espécimes nativas nos jardins do país. Embora muitas vezes comparados a telas de pintura, suas criações se revelam vivas por se transformarem com o passar dos anos e por representarem novas e livres maneiras de combinação cromáticas e de harmonias entre espécimes.

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O Conjunto Moderno da Pampulha foi concebido de forma a gerar uma “obra de arte total” unindo três pilares que são a arquitetura, paisagismo e diversas obras de arte – pinturas, esculturas, azulejaria e mosaicos, que conferem ao Conjunto um caráter de obra-prima. Outro destaque é o grande espelho d’água da Lagoa da Pampulha que funciona como elemento articulador dos edifícios, reforçando as relações visuais que estabelecem entre si. Cada edifício foi construído da forma que de qualquer atrativo do Conjunto você sempre conseguirá ver pelo menos mais um atrativo.

Cassino da Pampulha

O local ofereceu à cidade um luxuoso espaço de lazer e de shows que atraiu a elite da sociedade belorizontina. Sua divisão interna estabelecia um ambiente de jogos e uma pista de dança, além de um restaurante. Começou a funcionar em 1942, antes mesmo da inauguração oficial do complexo. Manteve seu uso original até 1946, quando foram proibidos os jogos de azar no Brasil. Em 1957, o edifício foi transformado no Museu de Arte da Pampulha, uso que permanece até hoje.

O antigo Cassino, hoje Museu de Arte da Pampulha

O antigo Cassino, hoje Museu de Arte da Pampulha

Além de destaque, garantindo por sua implantação em terreno mais elevado, o Cassino possui estrutura independente em concreto, planta e fachadas livres, moduladas pela estrutura, a qual surge com a própria expressão formal do edifício, atributos da arquitetura moderna.  A estrutura em concreto e a escolha pelos panos envidraçados proporcionam a alta integração visual entre o interior e exterior e que está presente nos demais prédios do conjunto. Entre as inovações da época  estão a rampa que leva ao antigo salão de jogos que parece solta no ar e o piso de vidro e o palco móvel  do antigo Grill-room.

Casa do Baile

Destacando-se pela sua singeleza, graça e simplicidade a Casa do Baile foi projetada para ser um restaurante dançante de funcionamento diário, tipo de lazer público até então inexistente em Belo Horizonte, foi concebida para atrair também as classes populares para vivenciar os encantos da Pampulha. Assim como o Cassino, a Casa começou a funcionar em 1942, antes da inauguração oficial do Conjunto. Em 1954, devido ao rompimento da barragem, ela foi fechada, com aberturas esporádicas para alguns eventos. Em 1986 foi reaberta como anexo do Museu de Arte da Pampulha. Entre outras mudanças, em 2002, após passar por obras de restauração, o local foi reinaugurado como Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design, uso adequado ao reconhecimento e divulgação de sua importância para a arquitetura moderna brasileira.

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Casa do Baile: a obra preferida de Niemeyer

A Casa do Baile era Considerada a obra predileta de Niemeyer, sua marquise sinuosa que acompanha os limites da ilha e emoldura o espelho d’água, era entendida por ele como um espaço cenográfico singular, expressão ideal de forma livre, sempre perseguida pelo arquiteto.

Iate Golfe Clube

Foi concebido como espaço público de lazer e esportes e o projeto arquitetônico incluía piscinas, quadras esportivas, salão de festas e acesso a lagoa para realização de esportes náuticos. Teve como uma de suas funções difundir a prática de esportes náuticos em Belo Horizonte, como o remo e a vela. Em 1961, o clube foi vendido para a iniciativa privada e transformado no Iate Tênis Clube.

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O moderno Iate Golfe Clube com seu telhado “Borboleta”

Com linhas arquitetônicas modernas o Iate introduziu no Brasil o telhado com inclinação em “V” conhecido como telhado “borboleta” e a construção dava a impressão de um barco atracado às margens da represa.

Igreja São Francisco de Assis

Considerada a obra prima de todo o Conjunto, a Igreja de São Francisco de Assis foi a primeira igreja brasileira construída nos padrões da arquitetura moderna. Niemeyer se apropriou de elementos regionais da cultura religiosa, o que ajudou a obra se tornar a mais polêmica de todo conjunto arquitetônico. Distante dos elementos sacros tradicionais e com polêmicas como a pintura de um cachorro no altar, ela inicialmente não teve o reconhecimento da Igreja Católica e permaneceu fechada por vários anos, sendo tombada pelo Iphan, em 1947. Somente em 1959, o pequeno templo foi aberto à comunidade.

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Igrejinha da Pampulha: a obra prima do Conjunto

Além da genialidade de Niemeyer com o projeto de cinco “cascas” articuladas com diferentes alturas onde suas curvas são mais evidentes, as pinturas internas e externas de Portinari, os jardins de Burle Max e os mosaicos de Paulo Werneck a Igreja tem uma grande representatividade por entre seus elementos fazerem uma alusão à tradição da arquitetura religiosa mineira e franciscana.

Casa Juscelino Kubitschek: Um plus para quem visita o Conjunto Moderno da Pampulha

Apesar de não fazer parte dos bens tombados do Conjunto Moderno da Pampulha, a Casa JK como popularmente é conhecida é mais um espaço fantástico que faz parte da história e legado deixado por Oscar Niemeyer e outros grandes artistas.

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Casa JK: não faz parte do tombamento, mas é mais uma beleza do Conjunto Moderno da Pampulha

Construída para ser a casa de campo de Juscelino Kubitschek a edificação marca a coesão entre o lazer e a moradia. Enquanto na região predominava as edificações ecléticas, neoclássicas, neocoloniais e art-déco ela representou a chegada da modernidade com seu telhado em formato borboleta, a setorização das áreas sociais e de lazer resguardando as áreas intimas. Outra inovação do modernismo é que os quartos passaram a ser concebidos com banheiros, uma intervenção nada comum para a época. Além de projeto de Niemeyer e jardins de Burle Max a casa traz obras de Alfredo Volpi e Paulo Werneck.

Agora você precisa conhecer in loco o Conjunto Moderno da Pampulha, patrimônio da Humanidade.

Fonte: Fundação Municipal de Cultural / Iphan

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