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Museu da Tipografia Pão de Santo Antônio em Diamantina é único do gênero no Brasil

28/06/2015

O Museu da Tipografia, recém inaugurado em Diamantina, é mais um atrativo para quem visita a linda cidade histórica localizada a 290 km de Belo Horizonte. Resultado do projeto Memória do Pão de Santo Antônio o museu abriga 80 anos da memória da tipografia e da atividade jornalística mineira e brasileira e é o único do gênero no Brasil.

Identificar, valorar, classificar e conservar objetos gráficos desconhecidos do grande público é função de um Museu de tipografia. Cidades de diversas partes do mundo que possuíram intensa prática jornalística, durante alguns séculos, hoje abrigam experiências museológicas dedicadas à memória tipográfica, como o Musée de l’imprimérie de Lyon (Lyon – França), ligado ao Institut d’histoire du livre, Museum Platin-Moretus (Antuérpia), o Museu Nacional da Imprensa (Porto – Portugal) e o Imprenta Municipal de Madrid – Artes del libro (Madri – Espanha). A cidade histórica diamantinense também entra para essa lista com o primeiro museu tipográfico do gênero no Brasil.

Museu da Tipografia: único do gênero no Brasil. Crédito Daniel Mansur

Museu da Tipografia: único do gênero no Brasil. Crédito Daniel Mansur

O museu funciona na antiga tipografia de jornais da Associação do Pão de Santo Antônio (Diamantina – MG), oficina que resistiu aos modos de impressão industriais, ao longo de todo século XX, até 1990. No local encontra-se em funcionamento uma máquina impressora parisiense, trazida para o Brasil no século XIX, que foi responsável pela impressão dos jornais Pão de Santo Antônio e Voz de Diamantina. Jornais tradicionais diamantinenses, que foram impressos em tipografia e circularam durante quase 100 anos, registrando notícias de momentos importantes da história do país, com um olhar local. O museu está aberto de quarta-feira a domingo, de 10h às 13h e de 14h às 18h.

O novo espaço é composto por máquinas impressoras, cavaletes tipográficos, mobiliário, clichês e outras ferramentas, que assumem o estatuto, hoje patrimonial, ao lado de quase quatro mil exemplares dos jornais ali redigidos e impressos por mais de 80 anos. “Ele testemunha a longa prática jornalística, editorial e tipográfica desenvolvida, entre 1906 e 1990, pelos jornais diamantinenses Pão de Santo Antônio e Voz de Diamantina”, conta Ana Utsch.

No acervo máquinas impressoras, cavaletes tipográficos e outras ferramentas que contam a história da tipografia nacional. Crédito Daniel Mansur

No acervo máquinas impressoras, cavaletes tipográficos e outras ferramentas que contam a história da tipografia nacional. Crédito Daniel Mansur

O museu traz, ainda, na sua concepção, uma proposta museológica pautada também no presente. Depois de terem passado por uma minuciosa restauração, os equipamentos remanescentes da antiga tipografia foram reativados e, através de diferentes ações educativas e editoriais, o visitante tem a oportunidade de vivenciar o patrimônio gráfico em movimento: máquinas e técnicas do passado sendo manuseadas por homens e mulheres do presente. Além dessas características, o museu traz uma dimensão viva e ativa do patrimônio gráfico, ampliando suas ações de diálogo com a comunidade, a partir do desenvolvimento de publicações, oficinas abertas ao público e uma hemeroteca física e digital disponível no site do museu. Basta clicar aqui para acessar o site.

Único do gênero no Brasil

No Brasil, algumas iniciativas tentam preservar os rastros de um patrimônio, em grande parte perdido: o Museu da Imprensa, criado há 30 anos na Imprensa Nacional, em Brasília; as atividades pedagógicas e editoriais desenvolvidas pelo Museu Vivo Memória Gráfica, na Universidade Federal de Minas Gerais; e o recém-criado Ateliê Tipográfico, espaço de produção e visitação vinculado ao Centro Editorial e Gráfico da Universidade Federal de Goiás.

“O Museu Tipografia Pão de Santo Antônio é único do gênero no Brasil pelo fato de unir os meios de produção próprios da tipografia (máquinas, ferramentas e práticas da cultura do impresso) e os jornais impressos saídos dos prelos de sua oficina tipográfica, ao longo do século XIX”, ressalta a professora do Curso de Conservação e Restauro da Escola de Belas Artes da UFMG, Ana Utsch.

A história da Tipografia agora é mais um atrativo na histórica Diamantina. Crédito Daniel Mansur

A história da Tipografia agora é mais um atrativo na histórica Diamantina. Crédito Daniel Mansur

Segundo a pesquisadora, grande parte dos objetos que constituem a história da cultura impressa é cotidianamente negligenciada. Máquinas impressoras, prelos, matrizes, clichês, mobiliário diversificado, ferramentas específicas, cavaletes, gavetas, etc., não tendo seu estatuto patrimonial definido, são tratados como lixo e sucata. “Portanto, são espaços como esses que colaboram para a afirmação de uma dimensão patrimonial dos equipamentos e das técnicas, expandindo assim, a noção de Patrimônio Gráfico”, explica Ana Utsch.

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